EXPOSIÇÕES DE DESIGN

3 gerações de designers… duas exposições

Sílvia Lézico

Sílvia Lézico (Moura, 1978), licenciada em Tecnologia e Artes Gráficas pelo Instituto Politécnico de Tomar, em 2005, deu os primeiros passos como Designer Gráfica no grupo Novodesign/Brandia, passando por diversas agências de comunicação.
Integra desde 2010 a equipa da BACK Communication, desenvolvendo projectos para Angola, Moçambique e Portugal. Concluiu em 2015 um mestrado em Ilustração Artística pela Universidade de Évora, com a dissertação final intitulada “Arte Pastoril – Alfabeto Gráfico”, tendo ganho uma bolsa de investigação artística pelo Centro de Estudos Ibéricos, enquadrada na linha de acção “Património e Turismo Cultural”, pelo estudo que desenvolve desde 2012, a partir da arte pastoril alentejana. Em Abril de 2017 inaugura a sua primeira exposição em Estremoz, no Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho com o título: “Quem tem vagar, faz colheres: arte pastoril, ilustração e design” onde apresenta o trabalho desenvolvido na dissertação e o materializa em diversas peças de autor, com diferentes suportes tais como a cerâmica, o têxtil e o ferro, de inspiração em fontes e registos etnográficos da região do Alentejo.
Paralelamente, faz ilustração e investigação em projectos que cruzam Arte e
Antropologia. Vive e trabalha em Lisboa, desde 2005.

Paulo Parra

Paulo Parra tem uma carreira multifacetada como designer, professor e colecionador. Desenvolveu atividades como curador, museologista, palestrante e pesquisador, com projetos nas áreas de Design e Transporte de Produto, Design de Arquitetura, museologia, Comunicação e Design Estratégico e Interface.
Na qualidade de Professor, é Diretor do Departamento de Design Industrial da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa através do qual é docente em Design e também Coordenador de Design em outras instituições de ensino superior, incluindo a Universidade de Évora, a ESAD Matosinhos e o IADE em Lisboa.
Designer convidado do NCS / Neumeister Design, foi fundador do Grupo ExMachina e Paulo Parra Design. Consultor em Design e Sustentabilidade no INETI, INEGI e SusDesign, coordenou equipas que desenvolveram Design Estratégico e Produto Industrial para empresas como Vista Alegre, Silampos, MVP, Zenite, Icel, Herdmar, SPAL e Leitão e Irmão. Projetou o apoio de barris na Adega Mayor, projetado pelo arquiteto Álvaro Siza Vieira e foi convidado para o projeto “Art on Chairs” para projetar uma cadeira para o Presidente da Comissão Europeia.
As suas produções foram premiadas com os prémios “Best Of IF” da Feira de Hanôver na Alemanha, a Bienal “Design for Europe” na Bélgica e a Bienal de Osaka no Japão. Também foi premiado em inovação em Design pelas empresas portuguesas Vista Alegre, Oliva e Sonae, e internacionalmente pelo italiano Arflex, o LG Electronics coreano e a Sony japonesa.
Desde 1988 publica regularmente livros e artigos sobre design e constituiu uma coleção de Design Industrial intitulada “Icons and Design Classics”, com mais de 3000 objetos internacionais e 500 portugueses.
Também dirigiu o Museu do Design – MADE.
Exibiu exposições integradas em vários países da Europa, Ásia e América e também foi representada na Exposição Internacional de Zaragoza 2008 por convite oficial do Pavilhão de Portugal.

Eduardo Afonso Dias

Nascido em Lisboa, em 1938, Eduardo Afonso Dias trabalhou nos ateliers de António Sena da Silva e Frederico George, Daciano da Costa, Conceição
Silva – nomes maiores do design português. Exposições individuais e coletivas, em Portugal e no estrangeiro, consultorias, prémios, referências em catálogos e trabalhos regularmente publicados na imprensa enriquecem um percurso que, a determinada altura, confluiu e se adensou em duas áreas que determinam muito do seu pioneirismo e originalidade: o design industrial e a docência, o primeiro empenhado na exportação de produtos cabalmente made in Portugal, o segundo configurando um espaço de reflexão pela via do ensino e da transmissão aos alunos, jovens aprendizes, do mesmo sentido de pragmatismo que o orientou a si.
Para além do design de interiores em obras marcantes e do design gráfico,
Eduardo Afonso Dias notabilizou-se pelo modo como traçou uma vida inteiramente nova para objetos feitos com matéria-prima nacional – madeira, pedra, cobre, aço inox, Latão, vidro, cortiça – aplicada aos têxteis e à cutelaria, à cerâmica e à iluminação, ao mobiliário e aos estofos. Apostado na autonomização do produto nacional e na prática do “design possível”, ciente das condicionantes próprias de uma indústria cheia de fragilidades e tecnologicamente incipiente, mas por outro lado capaz de uma imensa qualidade de produção, Eduardo Afonso Dias defendeu a atenção ao detalhe e ao fator diferenciação contra o styling da moda de ocasião. Virtuoso é o design que serve a relação forma-função e em que eventualmente a função se impõe à forma, apostada no rigor e na intemporalidade.
Terá sido esta maneira de estar na vida e na profissão, conciliando a criatividade com a disciplina própria de quem prefere servir a servir-se, que determinou o sucesso de colaborações com empresas portuguesas como a ICEL, a METALUTIL, a SAFARIL, a EUROGRÊS e a ARBOTÉCNICA, entre outras. A compatibilização do design com a produção e o marketing, a atenção à evolução das técnicas, materiais e formas e às necessidades e aspirações do mercado, são fatores suficientes para as próprias indústrias
reconhecerem e solicitarem a intervenção do designer. Um exemplo: o conjunto GUME, produzido pela ICEL, Prémio Nacional de Design, foi vendido durante cerca de três anos pelas Lojas IKEA. É uma forma de expansão moderna, de exportar qualidade e granjear de volta reconhecimento.

texto de Catarina Vás Pinto