REABILITAÇÃO E AUTENTICIDADE – Consequências no Tecido Urbano

“Ao refletir sobre uma expressão utilizada pelo ex-IPPAR (Informar para Proteger) – título de uma publicação de 1994 que, na época, pretendia (…) facultar um conjunto de elementos úteis e referências básicas sobre a salvaguarda do património arquitetónico e arqueológico em Portugal, surgiu a ideia que sintetiza este trabalho.”

Luís Pedro Cruz

Luís Pedro Cruz, nascido em Lisboa em 1959, reside atualmente em Castelo de Vide.
É arquiteto, foi professor e atualmente é funcionário público na Câmara Municipal de Castelo de Vide.

Habilitações e outras informações:

CURSO DE ARQUITETURA – Da Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa.

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM REABILITAÇÃO DE CENTROS URBANOS – Promovido pela UNESCO na Escola de Tecnologias Artísticas de Coimbra.

MESTRADO EM REABILITAÇÃO URBANA – Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Portalegre em parceria com o Instituto Politécnico de Tomar

ATIVIDADE EXERCIDA COMO DOCENTE

Professor provisório do 5.º Grupo entre 1983 e 1988 nas seguintes escolas:

Escola Preparatória de Oeiras
Escola Secundária da Parede
Escola Preparatória de Albarraque
Escola Secundária do Cadaval

Professor de Didática da Educação Visual, integrado no Curso de Formação Complementar (2.º ciclo) dirigido a professores do Ensino Básico, no Instituto Superior de Ciências Pedagógicas em Odivelas, no ano letivo 92/93.

Professor de Desenho de Construção Civil, Ocupação Urbana e Fundamentos do Ambiente (Desenho), na Escola Tecnológica, Artística e Profissional de Nisa entre 1993 e 1996.

ARQUITETO DA EQUIPA TÉCNICA DA EMPRESA DE PROJETOS – Percurso (Arquitetura, desenho e planeamento, CRL) entre 1985 e 1993 (Habitação social e equipamentos)

FUNÇÕES DESEMPENHADAS AO SERVIÇO DA CÂMARA MUNICIPAL DE NISA

Coordenador do Gabinete Técnico Local de Nisa (GTL), que executou o Plano de Salvaguarda do Centro Histórico de Nisa, de 19/4/93 a 19/4/95

Arquiteto de 2ª Classe na Divisão de Ambiente e Urbanismo, de 14/5/95 a 11/8/95.

FUNÇÕES DESEMPENHADAS AO SERVIÇO DA CÂMARA MUNICIPAL DE CASTELO DE VIDE

Técnico superior de 2ª classe (estagiário) de 1-07-96 a 30-06-97.

Ingresso no quadro como técnico Superior em 1997.

Chefe de Divisão (Divisão de Planeamento e Projeto)  de 1998 a 2001.

FUNÇÕES DESEMPENHADAS AO SERVIÇO DA DIREÇÃO GERAL DE EDIFÍCIOS E MONUMENTOS NACIONAIS

Chefe de Divisão de Monumentos do quadro da Direção Regional de Edifícios e Monumentos do Sul, da DGEMN, entre 2001 e 2006

PROJETISTA EM REGIME DE PROFISSÃO LIBERAL com intervenção na área do projeto e planeamento focado na reabilitação urbana

TRABALHOS DE INVESTIGAÇÃO REALIZADOS
Estudo da Evolução Urbana da Freguesia da Parede – trabalho
Interdisciplinar envolvendo as áreas de Sociologia, História e Arquitectura
Reabilitação e Autenticidade – Consequências no Tecido Urbano

REINGRESSO NA CÂMARA MUNICIPAL DE NISA

Em 2005 até 2007 desempenha as funções de Diretor de Projeto Municipal (equivalente a Chefe de Divisão) e dirige o projeto de requalificação urbana de Tolosa, criado na sequência do Plano de Urbanização que coordenou.

RETORNO À CÂMARA MUNICIPAL DE CASTELO DE VIDE

Em 2007, na Divisão de Planeamento e Projeto, passa a desempenhar funções de projetista na área da reabilitação urbana e é responsável pelo licenciamento do obras particulares.

Conhecer, Inovar, Conservar, Informar

Este trabalho reflete uma abordagem mais específica que encara o conceito de reabilitação em edifícios antigos associado ao de “Autenticidade”. Na prática a reabilitação além de não se cingir aos edifícios antigos, podendo inclusive abranger outros aspetos, designadamente infraestruturas urbanas, é mais abrangente, na medida em que se traduz num conjunto de ações destinadas a tornar funcional um edifício ou conjunto urbano envolvendo frequentemente melhoramentos e como tal pode incorrer em situações que envolvem operações bastante intrusivas e, até mesmo, em “fachadismos”, que reduzem os edifícios originais ao seu invólucro ou a parte dele.
Por outro lado, tentou-se orientar o trabalho para uma perspetiva mais voltada para a reabilitação urbana entendida como uma “(…) Nova política urbana que procura a requalificação da cidade existente, mediante estratégias e ações destinadas a potenciar os valores socioeconómicos, ambientais e funcionais de determinadas áreas urbanas para elevar a qualidade de vida das populações residentes, melhorando as condições físicas do parque edificado, os níveis de habitabilidade e equipamentos comunitários, infraestruturas, instalações e espaços livres (…).” A abordagem é sintética e enquadra-se mais no campo analítico, de qualquer forma abrange a análise urbana desenvolvendo alguns dos estudos associados a metodologias ensaiadas em planos, que incidem em zonas antigas, influenciados pela corrente italiana que, a partir da década de sessenta do séc. XX, ao adotar esta nova forma de encarar a “cidade histórica” em contextos urbanos carregados de testemunhos culturais, transforma-se numa referência internacional, difundindo novos métodos de análise/diagnóstico que reforçam a consistência da intervenção urbana em áreas sensíveis espalhadas por vários países, que possuem um património rico mas frágil que exige um particular cuidado na sua gestão. Concludentemente, a reabilitação é aqui encarada numa perspetiva conservacionista filiada na Carta de Veneza [Carta Internacional sobre a Conservação e o Restauro de Monumentos e Sítios (1964)] e nas recomendações do ICOMOS, referências estas, indissociáveis dos contornos que a cultura arquitetónica italiana assume nesse período.

No CAPÍTULO I recorre-se ao Plano Geral de Urbanização da localidade de Tolosa, para focar aspetos ligados à evolução urbana e características morfotipológicas, procurando mostrar como é que este tipo de análise se reflete nas propostas do Plano. A partir da compreensão dos tipos de casas existentes e da sua classificação em grupos.
No CAPÍTULO II parte-se para a tentativa de esclarecer algumas orientações regulamentares salientando as particularidades associadas aos tipos estudados que refletem características construtivas e estruturais (sistema construtivo/materiais tradicionais). Esta fase será acompanhada por um conjunto de recomendações técnicas, balizadas pelos princípios enunciados, muito centradas na utilização dos materiais tradicionais ou recorrendo a algumas situações que envolvem o recurso a materiais atuais, já devidamente experimentados, que garantem princípios essenciais dentro da perspetiva enunciada (“reversibilidade”, “compatibilidade” e “intervenção mínima”, sem ignorar que os elementos destinados a substituírem as partes afetadas devem integrar-se harmoniosamente no conjunto e, simultaneamente serem distinguíveis para não falsear a perceção da realidade).
Por último, no CAPÍTULO III confronta-se a análise anterior com projetos de arquitetura em edifícios de pequeno porte, fundamentalmente habitacionais, em que o ponto de partida é exatamente a salvaguarda e valorização do carácter tipológico do edifício e das relações com a envolvente respeitando o processo evolutivo associado a cada tipologia arquitetónica, sem abdicar de modernizar o imóvel, procurando uma relação pacífica com o existente. Contudo, o resultado final será obviamente um produto com uma imagem atual que tira partido do diálogo com a preexistência, enriquecendo a intervenção.